A WEB E O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO COM ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA

 

 

Ivanilda Pereira Gomes [1]

 

 

 

 

 

Resumo:

 

O presente artigo busca discutir a importância da web no desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes da Educação Básica no Ensino Fundamental II nas escolas brasileiras, elencando os principais limites encontrados para que esse processo se efetive de forma integral. A web é uma ferramenta importante que pode ser utilizada de maneira efetiva no âmbito escolar tornando-se um recurso pedagógico, que quando bem direcionado pode elevar o padrão de aprendizagem de nossos estudantes, porém é necessário uma ação política para que isso se efetive.  Avalia-se também a relação e o papel que a escola tem em desenvolver no estudante e desejo e os princípios sobre a forma de pesquisar, bem como a construção do pensamento crítico e a sua importância   no período em que estamos vivendo.  Acrescenta-se ao contexto escolar a dificuldade que se tem de se seguir novos instrumentos tecnológicos como a web no processo de ensino-aprendizagem identificando alguns elementos que contribui para que se permaneça com práticas tradicionais de ensino.  Procurou-se também descrever os principais desafios   enfrentados em sala de aula para construção do pensamento crítico, especialmente os alunos da educação básica do ensino fundamental II e a dinâmica do contexto que não se restringe apenas a escola, sendo necessário incluir a família também.

Palavras-chave:  Pensamento Crítico. Web. Escola. Ensino Fundamental II.

 

Abstract:

 

This article seeks to discuss the importance of the web in the development of critical thinking by Basic Education students in Elementary School II in Brazilian schools, listing the main limits found for this process to be fully effective. The web is an important tool that can be used effectively in the school environment, becoming a pedagogical resource when well directed, it can raise the standard of learning of our students, but political action is necessary for this to become effective. It also evaluates the relationship and role that the school has in developing in the student and desire and the principles on how to research, as well as the construction of critical thinking and its importance in the period in which we are living. it is added and the school context the difficulty that we have to follow new technological instruments such as the web in the teaching-learning process, identifying some elements that contribute to the persistence of traditional teaching practices. It was also sought to describe the main challenges faced in the classroom for the construction of critical thinking, especially students of basic education of elementary school II and the dynamics of the context that is not restricted only to the school, being necessary to include the family as well.

 

Keywords: Critical Thinking. Web. School. Elementary School II.

 

1.     Introdução

Quando se fala no desenvolvimento do pensamento crítico na web, vários elementos surgem para abordar um assunto tão importante e necessário, principalmente quando se percebe o atual momento vivido por toda a sociedade. Pensar criticamente e desenvolver diferentes maneiras de interpretar as situações, requer acima de tudo observação, reflexão e o esforço em compreender que o mesmo fenômeno pode ter diferentes interpretações. Essa multiplicidade varia conforme diferentes fatores, tais como o ponto de vista, experiência de vida, formação acadêmica, idade dentre outros inúmeros. Tudo isso e muito mais, pode influenciar no posicionamento, tal como na compreensão e entendimento do pensamento divergente entre os indivíduos.

 A rede mundial de computadores é um campo que apresenta uma infinidade de informações, conceitos, abordagens, ideias e nem todas elas convergem com os pensamentos individuais. É por isso que é essencial desenvolver o pensamento crítico para que se possa filtrar e interpretar de maneira assertiva o conteúdo base de análise. Vale a pena incluir que, na web existe um volume gigantesco de informações disponíveis, por vezes podem estar erradas, equivocadas e até mesmo distorcidas da realidade. É possível identificar a fragilidade daquela informação que está sendo analisada como sendo incorreta, se você já tiver um conhecimento prévio ou uma noção daquilo que está refletindo. “O pensamento crítico pode ser considerado a mais importante habilidade quando se utiliza a Internet, porque na web circulam todos os tipos de informações e fontes não muito fidedignas, incompletas, obsoletas e assim por diante.” (VALLE; ABRANCHES, p. 5, 2010).

Nesse contexto, o conhecimento prévio não está ligado apenas a formação acadêmica, mas a experiência de vida que o sujeito desenvolve ao longo do tempo por meio de suas vivências, nos diferentes âmbitos pelos quais ele circula e mantem algum tipo de relacionamento.

Percebe-se ainda que o ambiente é fator de suma importância para a construção do pensamento crítico do indivíduo. Pois no seu ciclo de amizade se constroem e moldam igualdades de pensamentos, ações e é nele também que o processo do pensamento crítico é exercido com maior liberdade.

 

2.      Desenvolvimento do Pensamento Crítico na Educação Básica

 Ao refletir sobre o desenvolvimento do pensamento crítico no âmbito escolar, especificamente na educação básica, estamos nos reportando a um dos ambientes mais propícios para desenvolver tal ação.  É o segundo lugar onde se manifesta a maior multiplicidade de percepções sobre o mundo, bem como a realidade distinta que cada estudante carrega consigo.  O primeiro lugar é a família, onde muitas vezes vem carregado de uma forte influência cultural, seja ela religiosa, econômica, social e que o aluno desenvolve o seu primeiro pensamento crítico tendo a família como um núcleo gerador desse pensamento. 

 A criança ou adolescente ao ir para escola começa a desenvolver internamente uma nova percepção sobre sua vida e a realidade, não sendo mais apenas a casa dela o espaço onde se aprende e desenvolve o pensamento crítico.  No entanto, o que se observa é que com a popularização do uso da internet e aquisição de aparelhos celulares por parte considerável da população, cria-se o fomento de um pensamento muita das vezes único, em que o indivíduo desenvolve sua concepção crítica baseada em um único caminho ou visão.

Pode-se, por exemplo pesquisar sobre determinado assunto em páginas da internet, como Google e os primeiros links são, geralmente os mais acessados pelos internautas, ou seja, a busca rápida e instantânea da informação não significa amadurecimento e reflexão sobre o dado que conseguiu capturar.

  Notoriamente que a web é muito mais interessante e chamativa e até mesmo didática do que um livro impresso em que o estudante precisa ler de maneira lenta. Cita-se como exemplo os adolescentes que estudam para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM em que o campo das linguagens é pouco chamativa, pois os livros as vezes apresentam poucas ilustrações, são extensos, com letras pequenas o que desestimula o interesse  por esse recurso. 

 A web já apresenta textos interativos ilustrados, aulas virtuais, documentários, séries, animes, ou seja, uma infinidade de recursos que atraem esses nativos digitais. Mesmo tendo todo esse recurso digital disponível os estudantes ainda permanecem com dificuldades de analisar e interpretar a informação que está sendo pesquisada, agindo de maneira mecânica e limitada quando se propõe uma pesquisa em que torna uma reprodução daquilo que foi lido e encontrado. 

 Por outro lado, é imprescindível pontuar que as escolas muitas vezes são resistentes a introdução de tecnologias da informação e comunicação no âmbito do ensino e optam por permanecer com práticas tradicionais e arcaicas no processo de ensino-aprendizagem.  Dessa forma, é importante que no contexto escolar haja uma formação e o mesmo tempo a construção de cidadãos críticos, utilizando as ferramentas disponíveis na atualidade.  Para Moran (2005),

[...] muitas escolas oferecem o mínimo de infra-estrutura tecnológica de apoio a professores e alunos e, também, porque muitos professores ainda se consideram o centro, focando mais o ensinar do que o aprender, o “dar aula” do que o gerenciar atividades de pesquisa e projetos. A sala de aula pode ser o espaço de múltiplas formas de aprender. Espaço para informar, pesquisar e divulgar atividades de aprendizagem. Para isso, além do quadro e do giz, precisa ser confortável, com boa acústica e tecnologias, das simples até as sofisticadas. Uma sala de aula hoje precisa ter acesso fácil ao vídeo, DVD, projetor multimídia e, no mínimo, um ponto de Internet, para acesso a sites em tempo real pelo professor ou pelos alunos, quando necessário. Infelizmente, a maioria das escolas e universidades pensa que giz, quadro, mesa, cadeiras, um professor e muitos alunos é suficiente para garantir aprendizagem de qualidade. (MORAN, p. 11-12, 2005).

Esse processo precisa iniciar no âmbito educacional em que toda a equipe pedagógica juntamente com a comunidade escolar se engajem no desenvolvimento de cidadãos críticos a partir dos recursos disponíveis e existente nas escolas.  É claro que há uma série de limitantes para esse processo, tais como a falta de recursos, de aparelho, de acesso à internet, de qualificação de pessoas para manusear e ao mesmo tempo ensinar os alunos, sala lotadas, alunos desmotivados. 

Isso requer vontade política, o que é interrompido por diferentes tipos de políticas públicas desenvolvidas de acordo com o perfil do governo. Para que os estudantes possam se envolver e desenvolver sua capacidade criativa tendo a web como uma ferramenta importante para essa ação é essencial criar mecanismos para que isso se efetive.

 

3.      A Pesquisa Como Ação Básica Para Construção do Pensamento Crítico

 

Um conceito central sobre o desenvolvimento do pensamento crítico, é ação de pesquisar em que não se restringe apenas a coleta de dados, mas o tratamento dessa informação na reflexão, a categorização, tal como a interpretação, levando em consideração os diferentes elementos que contribuem para que eu possa emitir uma opinião sobre o fenômeno analisado. Segundo Valle e Abranches (2010),

[...] a pesquisa escolar pode e deve ser algo prazeroso, onde os alunos
percorrem suas próprias trajetórias até chegar à conclusão de seus trabalhos, satisfazendo suas descobertas. Também se pode falar em ambiente de aprendizagem colaborativa, uma vez que, altamente motivados, terão prazer e desejo em compartilhar suas descobertas [...] Por isso, quando se pensa em pesquisa escolar via Internet, alguns setores da escola preferem ignorar completamente a existência do ciberespaço: continuam a fazer as pesquisas como orientadas há mais de meio século, fazendo também um malabarismo enorme a fim
de manter essas tecnologias fora da sala de aula. (VALLE
; ABRANCHES, p. 3, 2010).

É importante ensinar aos estudantes maneiras práticas de como, onde e quando pesquisar, pois digitar a palavra ou conceitos chave na web não é a pesquisa.  Isso seria limitar o processo investigativo que nos move em busca de novas descobertas e ao mesmo tempo na construção do próprio conhecimento. Pesquisar requer planejamento, orientação, direcionamento e ao mesmo tempo uma clareza do que se pretende apresentar como uma crítica inteligente e coesa. 

O modelo atual de educação existente no Brasil condiciona os estudantes a busca de respostas prontas e objetivas, por vezes sem uma reflexão sobre aquilo que está sendo respondido.  Há que se considerar também que o livro didático pode apresentar uma visão limitada sobre determinado conceito o que reflete muito a postura de seus autores.

Soma-se a isso a ação mecânica do aluno de apenas se torna copista de respostas que já estão explicitas nos textos do próprio livro.  É fato que os desafios são gigantescos, uma vez que este é o principal recurso didático disponível na maior parte das escolas do país. As observações de Valle e Abranches (2010) são importes, ao afirmarem que

[...] no centro de toda essa problemática estaria a reflexão como
ponto central de todo o problema com as pesquisas: ensinar a “refletir sobre” é, por vezes, mais importante do que memorizar dados a respeito de determinado tema. O grande problema da pesquisa escolar é que, quando as pessoas pensam em pesquisa, pensam em busca de informações. A prática reflexiva eficaz requer cuidado, trabalho e planejamento. (VALLE
; ABRANCHES, p. 4, 2010).

 

 O aluno tem acesso à web em casa, na igreja, porém dentro da escola isso ainda é um desafio que precisa ser enfrentado com conscientização evidenciando a importância da utilização desse recurso que pode se tornar pedagógico. É preciso sinalizar que existe uma parcela considerável de conservadores no contexto escolar, nesse contexto não estamos nos referindo aos professores e a equipe pedagógica, mas sim famílias que se posicionam contra  o uso da internet na sala de aula por conta de temas  sensíveis para discussão em sala de aula como sexualidade, religião e política. 

 Dentre esses três temas, citando caso análogo sobre questões relacionadas à política, em que a defesa de um pensamento único de grupos segmentados que buscam por meio do discurso e na produção de conteúdo apresentar argumentos que de maneira crítica  são  intoleráveis, como  apologia ao nazismo, defesa do machismo enquanto uma cultura presente no cotidiano, visões políticas opostas e que quando entram em debate geram conflitos e confrontos.

 São questões que se apresentam no cotidiano dinâmico de uma sala de aula e que quando é colocado em discussão vira caso de polícia, tal como a exposição do profissional que por meio do seu conhecimento procura desenvolver o pensamento crítico em seus alunos, porém muitos já tem uma concepção que defendem e não permitem que ele seja ampliado por meio do contato com visões diferentes. A web muitas vezes, acirra e fortalece ainda mais o pensamento de determinadas visões, pois ao  pesquisar sobre determinados temas, conforme posicionamento adotado, caminha-se no sentido de fortalecer aquilo que entendo como verdade, impedindo assim o desenvolvimento do pensamento crítico de maneira ampla e ao mesmo tempo coerente. 

 

4 . Considerações finais

 

Em síntese, considero que a web pode tornar-se uma ferramenta importante como recurso pedagógico no auxílio no desenvolvimento do ensino-aprendizagem, focando especialmente na construção do pensamento crítico.  Além disso, é preciso levar em consideração que existem diversos limites que ainda impedem  sua utilização de maneira mais  intensa no contexto escolar.

Acrescenta-se também a importância de desenvolver dentro do ambiente escolar técnicas e metodologias que ensine os alunos  a pesquisar sobre os mais diferentes temas e conceitos. Isso não só proporciona um avanço expressivo na elevação do padrão do aprendizado, bem como desenvolve autonomia nesses jovens para o processo de construção de seu conhecimento.  Portanto, para que ocorra uma efetivação dos objetivos de se utilizar a web  no desenvolvimento do pensamento crítico  é importante criar mecanismos que viabilize tal projeto, sendo essa é uma realidade que está muito próxima  do nosso cotidiano.

5 . Referências Bibliográficas

VALLE, L. H. C. N.; ABRANCHES, S. P.  Pensamento crítico na web: trajetórias da pesquisa escolar. In: III Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação, 2010, Recife. III Simpósio HIpertexto e Tecnologias na Educação. Recife, 2010.

 

MORAN, J. M. As múltiplas formas do aprender. Atividades & Experiências (entrevista) Julho 2005. p. 11-13.



[1]Graduada em Direito pela Universidade de Uberaba. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: ivapgomes68@gmail.com

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